Ex-diretor do Banco Central passa a usar tornozeleira eletrônica em Poços durante operação da PF
Atualizado em 4 de março de 2026
O ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, foi encaminhado na manhã desta quarta-feira (4) ao Núcleo Regional de Monitoramento Eletrônico, em Poços de Caldas, onde passou a utilizar tornozeleira eletrônica por determinação da Justiça.
O investigado foi localizado em Guaxupé e conduzido sob escolta da Polícia Federal até o município para a instalação do equipamento.
A medida integra a terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, supostamente praticados por organização criminosa ligada ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
De acordo com a decisão judicial, o ex-diretor teria atuado informalmente em favor dos interesses da instituição financeira que estava sob supervisão da própria autarquia à qual era vinculado.
Outros três investigados também foram alvos de medidas cautelares:
– Belline Santana, ex-servidor do Banco Central, apontado como consultor informal de Vorcaro em temas relacionados à autarquia;
– Leonardo Augusto Furtado Palhares, responsável pela empresa Varajo Consultoria Empresarial Sociedade Unipessoal, que teria atuado na formalização de instrumentos contratuais no contexto das tratativas do grupo;
– Ana Cláudia Queiroz de Paiva, sócia da empresa Super Empreendimentos, apontada como responsável por gerir transferências financeiras destinadas a custear atividades atribuídas à chamada milícia privada.
Prisões e mandados
Além das medidas cautelares, a Polícia Federal cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão nos estados de Minas Gerais e São Paulo.
As ordens foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Foram presos durante a operação:
– Daniel Vorcaro;
– Fabiano Campos Zettel, apontado como apoiador direto das atividades do empresário;
– Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, que, segundo as investigações, atuava na obtenção de informações sigilosas e monitoramento de pessoas;
– Marilson Roseno da Silva, identificado como integrante da estrutura paralela de monitoramento e intimidação vinculada ao grupo investigado.
A investigação segue em andamento e, conforme a Polícia Federal, novas diligências não estão descartadas.
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